LGPD e transformação digital: demandas prioritárias para 2019

Em entrevista à Security Report, Marcos Nehme, diretor e Systems Engineer da RSA Latin America & Caribbean, destaca desafios e oportunidades da Segurança Cibernética diante de um cenário de digitalização, conformidade e regulamentações

Um recente levantamento realizado pela Vanson Bourne, patrocinado pela Dell Technologies e Intel, estudou o progresso da transformação digital em empresas em todo mundo, inclusive no Brasil. O estudo mostrou que apenas 6% das empresas brasileiras podem ser consideradas como líderes digitais, ou seja, que têm a digitalização enraizada no negócio.


Nesta edição, foram entrevistados profissionais de 100 organizações líderes no Brasil, de médio e grande porte, mostrando que a maior parte das empresas brasileiras (70%) já contam com planejamento e investimentos para digitalizar os negócios, sendo que 37% possuem um plano digital maduro e aportes em inovação, enquanto 33% investem de forma gradual e com maior cautela.


Na visão dos entrevistados brasileiros, regulamentações (33%) e preocupações com privacidade/cibersegurança (31%) são as grandes barreiras para avançar nos projetos de digitalização. Para Marcos Nehme, diretor e Systems Engineer da RSA Latin America & Caribbean, o tema da Lei Geral de Proteção de Dados será o de maior impacto nas organizações que atuam no País e é um assunto diretamente ligado à transformação digital.


“LGPD é o tema do ano para toda comunidade de Segurança Cibernética. Não só no Brasil, mas para todo o mundo, as regulamentações são reais preocupações para a proteção de dados e privacidade dos consumidores/clientes”, destaca o executivo.


Para a RSA, que hoje é um braço estratégico dentro a Dell Technologies após a compra da EMC Corporation em setembro de 2016, o monitoramento é a palavra-chave em tempos de adequação às leis, principalmente quando somado à prevenção e com ações rápidas diante de incidentes de segurança.


“Os gestores convivem diariamente com o surgimento de novos ataques e a tendência é que isso afete as estratégias de proteção. Por isso precisamos mudar, inclusive nós players de tecnologia, devemos modificar a forma como falamos, pois, o monitoramento é a melhor forma para identificar rapidamente um incidente e tomar uma ação rápida e eficaz”, completa o diretor.


Risco controlado


O executivo explica que a RSA vem trabalhando fortemente essas ideias junto aos clientes, até porque a transformação digital é um processo longo, que não acontece da noite para o dia. E os riscos estão cada vez mais complexos diante de novas vulnerabilidades e pressão regulatória.


“Estamos vivendo um período de análises profundas de desafios e oportunidades. É importante que os líderes empresariais enxerguem essa transformação incluindo os gestores de Segurança Cibernética em um papel estratégico no negócio, a fim de alavancar a SI pautada nas demandas do business com foco na gestão de riscos”, completa.


Segundo ele, a RSA está preparada para atuar na linha de frente da ciberdefesa junto às lideranças brasileiras com ofertas de portfólio mais robusto, de produtos tecnológicos para monitoramento, data protection e estratégias de SOC à governança corporativa, gestão de riscos e consultoria. Esse caminho sugere uma criação a quatro mãos junto com os clientes de uma estratégia mais inteligente para uma segurança avançada com soluções integradas à nuvem, armazenamento, infraestrutura e servidores.


“Diferente da Security Works, empresa que também faz parte da Dell Technologies focada em Serviços Gerenciados de Segurança, a RSA está pautada em atender grandes clientes, empresas maduras em Segurança Cibernética. Mas esse ano, também estamos olhando organizações de médio porte, que têm em pauta a transformação digital e a necessidade de proteger o negócio com conceitos de governança, compliance e inteligência de fraudes”, destaca o diretor.


Essas demandas estão na linha de frente da estratégia da RSA com o carro-chefe que contempla a plataforma de cyber defense integrando gestão de risco e endpoints, orquestração, behavior analytics, inteligência no comportamento do usuário, continuidade de negócio, regulamentação, proteção de dados e monitoramento.


“Isso é consequência de um trabalho forte do nosso time de consultoria global. Os legados terão que se automatizar e os investimos internos terão que evoluir junto com as demandas da Segurança Cibernética, inclusive os próprios profissionais. No cenário de conformidade e regulamentação, controle, monitoramento e gestão de riscos estão em destaque”, completa Marcos Nehme.

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