Impressoras 3D da HP chegarão ao Brasil ainda neste ano

Empresa começa a preparar canais de distribuição para início das vendas com foco em indústria 4.0 no segundo semestre

 

 

HP Inc. deve iniciar as primeiras implementações de suas impressoras 3D ainda este ano no Brasil - mercado ainda não explorado pela companhia para este setor. O foco da empresa é entrar fortemente no emergente mercado de indústria 4.0 para equipar e modernizar linhas de montagem pelo País.

 

A previsão é de Alexandre Saab, diretor de vendas de canais comerciais da HP para América Latina.

Desde janeiro no cargo - e há 14 anos na empresa -, o executivo terá papel preponderante para dominar o novo mercado na região. Afinal, 80% da receita da companhia é via canais e a estratégia com impressão 3D não será diferente - assim como já vem sendo feito nos EUA, Europa e Ásia.

 

"Já existe um interesse gigantes dos canais para serem distribuidores e revendas de impressão 3D. Estamos escutando todos eles e no segundo semestre vamos começar a fazer a introdução na América Latina. Existe toda uma parte logística, não é simplesmente vender uma impressora - temos suporte, suprimentos, assistência, software etc. É uma solução", destaca Saab, em entrevista à Computerworld Brasil.

 

Por conta da estratégia de entregar uma solução completa aos clientes, o executivo acredita que a região ainda não está pronta para início das ofertas. "Nosso papel é preparar as revendas", aponta.

 

Outra aposta da HP especificamente para o Brasil é no extenso parque fabril instalado no País - e a maioria deles ainda longe do novo modelo chamado de quarta revolução indústria. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, aponta que apenas 1,6% das empresas brasileiras afirmam já operar no formato indústria 4.0.

 

"Estamos preparando o meio de campo - programa, capacitação etc. Não temos dúvida que será um sucesso", crava.

 

Apesar das altas expectativa, a companhia deve adotar uma estratégia pés no chão. Segundo Saab, o início deve ser com poucos players para "construir algo sustentável e que tenha sucesso."

 

Oferta

 

Saab lembra que a HP iniciou sua jornada em impressão 3D com polímeros e  já vendeu centenas de milhares de impressoras pelo mundo. Agora, o foco está em software, com novas parcerias e projetos em empresas como BMW e Nike. O foco é avançar para impressão 3D de metais, usando a tecnologia Jet Fusion.

 

"Não fazemos impressora para protótipo dentro da garagem. É para a linha de produção toda para de fato democratizar o conceito."

 

Em fevereiro, a HP fez um importante anúncio: o lançamento da primeira impressora 3D que imprime em cores. A impressão, com controle de voxel, é feita em uma mesma fração de tempo de outras soluções. Dependendo da configuração e da preferência de cores, a série Jet Fusion 300/500 está disponível a partir dos US$ 50 mil, permitindo que equipes de desenvolvimento de produtos e empresas de design de pequeno a médio porte, empreendedores, universidades e instituições de pesquisa tenham acesso à tecnologia de impressão da indústria da HP, a Multi Jet Fusion.

 

Estratégias

 

O executivo lembra que a estratégia da HP, após a separação que resultou na criação da HPE e da DXC, ficou centrada em três pilares. O primeiro deles é o Core, que engloba os dois carros-chefes da empresa: PCs e impressão. A segunda delas é Growth, ou seja, crescimento, que são tecnologias como sistema de pagamentos, workstations e impressoras de grande formato.

 

Por fim, a empresa aposta na categoria Futuro, que engloba a quarta revolução industrial, com os investimentos em impressão 3D. Outra aposta desta estratégia de futuro é em computação imersiva, não só para games, mas também para indústria e engenharia.

 

"Temos de executar Core e Growth muito bem para criarmos combustível para as experiências de futuro. O mercado de impressão 3D não é para qualquer um. É uma venda transacional e precisa contar com um parceiro que entenda de venda de soluções", comenta o executivo, que lembra que, por se tratar de negócios críticos, os projetos ganham ainda mais relevância. "Uma fábrica não pode falhar durante a implementação."

 

Distribuidores da nova era

 

A chegada de tecnologias de ponta faz parte da estratégia da HP de reinventar sua relação com distribuidores e revenda. O foco é ir além da venda de produtos e cada vez mais focar na entrega de soluções com valor agregado.

 

É a chamada mudança de transacional para contratual, como define Saab. "É preciso falar mais da solução e sair da guerra de preço. E nosso programa tem sido consistente depois da separação, como foco em preparação e capacitação para o canal ter essas discussões voltadas a soluções", diz Saab, que destaca também o foco em "descomoditizar" o mercado.

 

A tendência, para ele, é a migração do modelo de revendas para os conceitos de marketplace e e-commerce. "Conseguimos identificar muito claramente quem é o player do futuro e quem ficou para trás."

 

Até para não ficar para trás em meio à avalanche de novas tecnologias, a HP quer aproveitar o que há de mais disruptivo para otimizar sua relação com canais de distribuição.

 

Por isso, a aposta tem sido no Sales Central, canal de informações e materiais para parceiros, que oferece suporte para apresentações, propostas, brochuras, treinamentos etc. "Ele reúne uma série de ferramentas sem nenhum custo para capacitar o canal para o mundo que está chegando. Muitos canais são espetaculares em fazer o tradicional e nossa missão é prepará-los para o futuro", define.

 

Os próximos passos são adotar inteligência artificial e machine learning para automatizar a relação com canais - ainda em 2018 já vão começar os primeiros testes com chatbot. "A ideia não é abrir mão do cara a cara, mas quando há acordo e entendimento, automatizar ao máximo a parte transacional, e investir mais recursos e temo em marketing, vendas e capacitação."

 

Outro projeto é usar blockchain para reinventar a forma de transação de contratos de distribuidores e revendas - um projeto no longo prazo, para entrar no ar em 2025, segundo previsão inicial. A iniciativa tiraria muito do peso administrativo para controle de preço, por exemplo.

 

"O marketplace criou ruptura. As novas gerações não querem esperar, elas querem tudo de imediato. A HP não será vítima da ruptura que as novas tendências estão trazendo. Queremos fazer parte dela. E mais importante que isso é facilitar para que nossos parceiros também estejam preparados", finaliza.

 

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