Como o mercado da tecnologia reagiu às manifestações racistas nos EUA


O último fim de semana foi um momento conturbado na história recente dos Estados Unidos. A cidade de Charlottesville, no estado da Virgínia, viu suas ruas serem tomadas por defensores da supremacia branca, nazistas e discursos de ódio que causaram conflitos violentos com opositores, deixando dezenas de feridos e até uma pessoa morta.

Como em outras situações delicadas, a indústria da tecnologia reagiu a esses movimentos, embora, desta vez, a resposta tenha sido bem mais tímida. Poucos porta-vozes de manifestaram sobre o assunto, sendo que a maioria permaneceu calada. O Twitter foi palco para a maior parte das manifestações de pesar pelo ocorrido.

"Cenas de partir o coração em Charlottesville. Violência e racismo não têm lugar na América", escreveu Tim Cook, presidente da Apple, na rede social. "Nós já vimos o terror da supremacia branca e violência racista antes. Este é um problema moral, uma afronta à América. Nós todos temos que lutar contra isso", acrescentou o executivo.

Nomes como Mark Zuckerberg (CEO e fundador do Facebook), Satya Nadella (presidente da Microsoft), Sundar Pichai (Google) e Bill Gates, por sua vez, não se manifestaram. Por outro lado, usuários de redes sociais se movimentaram para contra-atacar os racistas, como através da conta @YesYoureRacist, do Twitter, uma das principais fontes de engajamento durante os protestos.

A página começou a divulgar as identidades de participantes do protesto neo-nazista, através de denúncias anônimas ou não. Um dos manifestantes, identificado como Cole White, trabalhava para uma fornecedora de internet via satélite dos EUA, a Top Dog LLC, que disse que o manifestante havia perdido o emprego após a divulgação feita pela página @YesYoureRacist.

Poucas foram as reações institucionais de empresas de tecnologia, mas a principal delas veio da Airbnb, que conecta proprietários de imóveis de aluguel temporário por aplicativo. A companhia começou a avaliar, um por um, os usuários interessados em hospedagem na região de Charlottesville durante o período da marcha racista. Todos que foram identificados como supremacistas tiveram suas contas excluídas, como a empresa confirmou ao site norte-americano Gizmodo.

Já a GoDaddy, empresa que fornece hospedagem para páginas da web, expulsou os administradores do site The Daily Stormer, usado para compartilhar propaganda de ódio e outros conteúdos de cunho nazista. A página recebeu um alerta para buscar outra hospedagem em até 24 horas, por ter violado os termos de uso do serviço. Logo em seguida, o Daily Stormer passou a usar os servidores do Google, mas também acabou expulso de lá.

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