Computadores afetados por ciberataque desta semana não podem ser recuperados


No começo desta semana, um ciberataque de escala global atingiu milhares de computadores no mundo todo, incluindo no Brasil. Ele criptografava os dados da máquina do usuário e exigia um resgate de US$ 300 em bitcoin para descriptografá-los. Apesar disso, ao menos um pesquisador de cibersegurança acredita que o dinheiro não era seu principal objetivo.

Um especialista em segurança conhecido como "the grugq" escreveu um texto detalhando o funcionamento do ciberataque. Ele aponta para o fato de que ele direciona apenas para uma carteira de bitcoins, por meio de um endereço que não pode ser alterado, e exige que o usuário envie um e-mail com instruções complexas para um único endereço de email (que foi rapidamente desativado).

Além disso, uma análise da Kaspersky Labs revelou que o malware não tem como descriptografar os arquivos da máquina infectada - mesmo que a vítima pague (e muitas já pagaram). Isso porque a chave de criptografia que o malware usa não é preservada durante o processo, e não pode ser recuperada. Por esses motivos, o especialista conclui que "isso definitivamente não foi criado para ganhar dinheiro. Isso foi feito para se espalhar rapidamente e causar dano, sob uma fachada enganadora de 'ransomware'".

Nicholas Weaver, um acadêmico de cibersegurança da Universidade de Berkeley, apoiou a análise postada por "the grugq". Num artigo de sua autoria, ele afirmou que está "disposto a dizer com confiança pelo menos moderada que esse foi um ataque deliberado, malicioso e destrutivo ou talvez um teste disfarçado de ransomware".

Origem da epidemia

Embora ainda não se conheça o responsável pelo mega ataque virtual, já se sabe onde ele começou. Segundo a polícia ucraniana, o primeiro alvo do ataque foi o Me-Doc, um software de contabilidade cujo uso é obrigatório para empresas que atuam na Ucrânia. De fato, a Kaspersky estima que cerca de 60% das infecções aconteceram no país.

De acordo com o Guardian, é pouco provável que a pessoa ou organização responsável pela autoria do ataque venha a ser descoberta. O diretor técnico da empresa de cibersegurança eSentire disse ao site que "encontrar provas irrefutáveis que liguem um atacante a um ataque é virtualmente impossível, então a questão se resume a suposições e julgamento".

Com essas informações, especula-se que o principal alvo do ataque era apagar dados de empresas estatais e multinacionais da Ucrânia. Algumas autoridades ucranianas acreditam que o ataque foi feito pelo governo russo, já que ele teve a Ucrânia como principal alvo, e atingiu o país na véspera do Dia da Constituição, um feriado no qual a Ucrânia celebra a separação da União Soviética.

Foram poucas as vítimas brasileiras do ciberataque. No entanto, se você foi atingido, nem tudo está perdido. Uma das recomendações é que as vítimas restaurem quaisquer backups que tenham e que não tenham sido infectadas. Se você não tiver um backup, infelizmente só resta formatar a máquina. E estudar a melhor maneira de se fazer backup para a próxima vez que algo como isso aconteça.

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