Por que a Tesla precisa repensar sua tecnologia Autopilot

Ao anunciar recurso semi-autônomo como Autopilot, Tesla dá aos consumidores um falso senso de segurança, dizem especialistas.

À luz de uma série de acidentes envolvendo tecnologia semi-autônoma para carros, a Tesla deveria repensar o quanto oferece de automação aos seus motoristas, avaliam especialistas. Enquanto o Sistema Avançado de Direção Assistiva Autopilot (ADAS, na sigla em inglês) usa câmeras e radares, a fabricante deveria considerar acrescentar a tecnologia LIDAR, sigla para Light Detection And Ranging, que usa lasers para criar digitalizações 3D de objetos ao redor de um veículo. Atualmente, o radar da Teslas apenas mede a distância entre objetos, mas não consegue necessariamente determinar o que são esses objetos. Elon Musk, CEO da Tesla, disse que não acredita que seus veículos elétricos precisem do LiDAR. “Eu acredito que se resolve completamente sem o uso do LIDAR. Eu não sou um grande fã da tecnologia, acredito que não faz sentido nesse contexto”, disse Musk no ano passado. Mais recentemente, especulou-se que a Tesla estaria considerando acrescentar o LiDAR em algum momento. Mas talvez mais seja necessário. Richard Wallace, diretor do grupo Análises de Sistemas de Transporte no Centro para Pesquisa Automotiva, disse que se veículos da Tesla fossem equipados com tecnologia de comunicação veículo para veículo (V2V) e veículo para infra-estrutura (V2I), os recentes acidentes poderiam ter sido evitados. Wallace acredita que veículos autônomos não serão inteiramente seguros até que eles consigam se comunicar com outros veículos nas estradas assim como a infra-estrutura ao redor deles. “Pessoas argumentam que desenvolvem um veículo integralmente autônomo baseado puramente em sensores e inteligência artificial e que não precisam de tecnologia V2V e V2I”, disse Wallace. “V2V teria evitado esse acidente fatal”. Nas últimas duas semanas, a Tesla ficou no centro dos holofotes da mídia desde que revelou que um proprietário de um sedan Model S foi morto em maio em um acidente de carro enquanto o recurso Autopilot estava ativado. O acidente foi seguido por outros dois que, alegadamente, estavam com o mesmo recurso ativado. A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) e Securities and Exchange Commission (SEC) estão investigando a Tesla a respeito dos incidentes. Na semana passada, a NHTSA solicitou dados adicionais da Tesla a respeito do Autopilot, incluindo mudanças no design e atualizações do sistema, assim como logs detalhados de quando o sistema levou motoristas a assumirem o volante. Hoje, a Consumer Reports, que em revisões anteriores destacou os veículos da Tesla, chamou a atenção da companhia para desabilitar seu sistema de direção semi-autônoma à luz dos acidentes. “Ao anunciar seu recurso como “Autopilot”, a Tesla dá aos consumidores um falso senso de segurança”, diz Laura MacCleery, vice presidente de política para o consumidor do Consumer Reports, em um blog. “Consumidores nunca devem ser cobaias para programas com segurança em fase beta”. Wallace também acredita que o Autopilot se equivoca ao que a tecnologia oferece. “A essa altura, é um assistente ao motorista”, diz. O Autopilot foi descrito pela própria Tesla como um programa beta público que tem como função assistir e não assumir totalmente a direção. Dados do programa beta são transmitidos de volta a Tesla, permitindo que a companhia melhore a tecnologia. Musk diz que a companhia não tem planos de desabilitar o Autopilot, reiterando que planeja melhorar sua comunicação sobre como o recurso deve ser apropriadamente usado. “Essa é a primeira fatalidade conhecida em mais de 130 milhões de milhas enquanto o Autopilot esteve ativado. Entre todos os veículos dos Estados Unidos, há uma fatalidade entre 94 milhões de milhas. Mundialmente, há uma fatalidade a cada 60 milhões de milhas”, defendeu Musk em uma publicação no blog da Tesla. John Dolan, cientista de sistemas no Robotics Institute da Robotics Institute, disse que se trata de uma bobagem comparar milhas dirigidas por humanos daquelas dirigidas quando um sistema ADAS se encontra ativado; não é uma comparação válida. Dolan ressalta que quando o Autopilot está ligado, pode haver várias situações quando o motorista é forçado a assumir o controle do veículo para evitar um acidente, insinuando que o Autopilot é menos seguro do que necessariamente é. A Tesla insiste em dizer que o Autopilot é um sistema de direção assistiva avançado e que não se trata de uma tecnologia integralmente autônoma, o que significa que seus motoristas devem manter suas mãos no volante, além de estarem alertas a todo o momento. Entretanto, a Internet mostra que motoristas, que gravaram vídeos e os publicaram no YouTube, têm arriscado suas vidas ao confiar na tecnologia, tirando as mãos do volante em diversas situações. Tanto Google e Tesla têm apostado mais agressivamente na tecnologia ADAS, diz Dolan. Virtualmente, todas as mondadoras hoje em dia têm ou estão planejando incluir o ADAS na maioria de seus modelos. Sistemas LiDAR oferecem um contexto mais apurado. No entanto, um dos obstáculos do uso mais amplo dele é que se trata de uma tecnologia cara. Sistemas LiDAR, como aqueles testados pelo Google em seus carros, podem custar mais de US$ 1.500. A medida que a tecnologia evolui, preços devem baixar. Alguns fabricantes do sistema já estão projetando exemplos que custarão cerca de US$ 250. Mas uma pergunta mais importante a se fazer é: “Estamos de fato prontos para a tecnologia autônoma?”, Dolan questiona.
 O problema é que motoristas acreditam no falso senso de segurança quando acreditam que um computador consegue ser melhor que eles. Por um lado, Dolan aplaude a abordagem ousada de Musk e Tesla de entregar tecnologia semi-autônoma para direção enquanto esta se encontra ainda em desenvolvimento. Por outro, ao não estar totalmente pronta, a ADAS aumenta as chances de causar acidentes diretos e indiretos, o que poderia encorajar a indústria como um todo a atrasar a entrega da tecnologia para consumidores. Enquanto o resto da indústria pode estar desenvolvendo sua própria tecnologia autônoma, é improvável que siga o mesmo caminho que a Tesla. A indústria centenária de carros é mais cautelosa, por que diferente de uma startup, ela tem mais a perder, ressalta Dolan. “A última coisa que eles querem é a publicidade que a Tesla tem recebido, e eles farão de tudo para evitá-la”, diz Dolan.

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